Crónicas, vivências, relatos e histórias saídas dos cadernos de dois estudantes universitários...

quarta-feira, junho 07, 2006

Alemanha 2006 (parte dois)


Na segunda parte do meu comentário sobre o mundial 2006 vou-me debruçar sobre as minhas duas selecções predilectas: Argentina (por afeição) e obviamente, Portugal. Comecemos pela selecção das pampas…
À semelhança do que aconteceu com Scolari, José Pekerman foi alvo de muitas críticas, originadas maioritariamente pela convocatória da Argentina para este mundial. O eterno diez, Diego Armando Maradona, manifestou a sua indignação perante a exclusão de German Lux, guarda-redes do River Plate, evocando mesmo uma “mão negra” que estaria por trás da não convocação deste jovem jogador, campeão olímpico em 2004. As ausências de Javier Zanetti, Samuel, Verón, Aldo Pedro Duscher e Martín Demichelis são também motivo de polémica.
Analisar a selecção argentina é sempre muito complicado. O valor dos argentinos é imenso, a qualidade dos artistas só tem paralelo na selecção canarinha e, ao contrário do Brasil, a equipa das pampas possui na sua defesa e meio campo defensivo jogadores de nível mundial, artistas ainda muito jovens que podem dar outra frescura a estes sectores: Gabriel Milito, Coloccini, Gabriel Heinze, Javier Mascherano, Nicolas Burdisso e Esteban Cambiasso são alguns dos jovens argentinos que demonstrarão a sua qualidade nos palcos alemães. Se somarmos ainda a experiência de Roberto Ayala e Sorin, a criatividade e magia de Riquelme, Aimar e Leonel Messi e a loucura contagiante de Carlitos Tevez e Maxi Rodriguez apercebemo-nos facilmente do poderio desta equipa!
Uma das grandes pechas da selecção Argentina é a loucura inata dos seus jogadores. Se a canalizarem de forma positiva na condução do seu jogo, os seus adversários terão muita dificuldade em parar estes meninos. Se esse sentimento for um factor de inibição e desconcentração, José Pekerman terá muitos problemas durante o mundial. Basta recordar a fase de qualificação, na qual as exibições (e os resultados) da Argentina oscilaram de forma quase dramática. Quem não se recorda da derrota embaraçante com o Equador por 2-0 e da vitória, passados somente quatro dias, sobre o Brasil por 3-1. Penso que o grande desafio de Pekerman será motivar os seus jogadores em todos os jogos, a começar na fase de grupos…
Resta Portugal. A nossa selecção. A equipa de todos nós…
Ao contrário de muita gente, não partilho a opinião que toda a loucura e entusiasmo que se vive em redor da selecção nacional sejam resultado do factor Scolari e de tudo que isso envolve, mas sim da fase complicada e difícil que o nosso país atravessa. Costumo comparar os jogos na Roma antiga com a nossa selecção. À semelhança do que acontecia com a população de Roma, os portugueses vivem actualmente uma fase complicada, servindo a selecção nacional como escape e saída para todas as dificuldades que o tuga encontra no seu dia-a-dia. Daí a responsabilidade da nossa selecção…
Não sou grande admirador de Scolari. Não aceito os seus critérios de convocação de jogadores e não aceito a postura com que encara normalmente as conferências de imprensa. Não tolero e não entendo a falta de permissão que os jornalistas têm para fazer algumas perguntas aos elementos da selecção social. Veja-se o exemplo surreal da conferência de imprensa de Simão Sabrosa, na qual o responsável pela imprensa da selecção nacional impediu um jornalista de questionar o extremo sobre as saídas nocturnas de alguns jogadores da nossa selecção. Incompreensível…
A meu ver, a nossa aventura neste mundial começou mal. Falo da convocatória de Ricardo Costa em detrimento de Tonel, o melhor central português da liga portuguesa. Já nem falo da falta de oportunidades concedidas a jogadores como Ricardo Rocha, João Moutinho e João Tomás… Os critérios usados pelo senhor Scolari não são definitivamente os mais correctos, não se baseiam no desempenho ao longo da época mas sim na teimosia deste brasileiro, teimosia essa que nos custou caro no primeiro jogo do europeu de 2004. Espero que a história não se volte a repetir…
Portugal tem uma boa equipa, sem ser excelente tem um naipe de jogadores capazes de vencer qualquer selecção. No entanto levanto algumas interrogações: questiono-me sobre o estado físico e a falta de ritmo de jogo de Nuno Valente, Costinha e Maniche; questiono-me sobre a qualidade de Fernando Meira para jogar na primeira equipa de Portugal; questiono-me sobre o onze que Scolari vai apresentar no jogo frente a Angola; questiono-me sobre ausência de Tiago nas primeiras opções do treinador brasileiro; enfim, tenho (infelizmente) muitas reticências sobre a participação de Portugal neste mundial. Há no entanto esperança…
O melhor onze que Portugal poderá apresentar na Alemanha é o seguinte: Ricardo; Paulo Ferreira, Ricardo Carvalho, Fernando Meira e Caneira; Petit, Tiago e Deco; Figo, Ronaldo e Pauleta. A infelicidade de Jorge Andrade foi um duro revés nas aspirações que Portugal poderia ter neste torneio. Com Andrade e Carvalho teríamos das melhores duplas de centrais do mundo, com Meira a nossa defesa perderá em velocidade e sentido posicional. Nas laterais, acredito que Paulo Ferreira e Caneira são as opções mais fiáveis, sendo que Miguel poderia substituir Ferreira no decorrer de alguns jogos em que o resultado não fosse do nosso agrado. O meio campo seria povoado por três jogadores que nos dão garantias. De realçar a época fantástica de Deco e especialmente de Tiago, jogador que se afirmou de caras numa das melhores equipas de toda a Europa, o Lyon. Para criar e marcar golos, um tridente composto por dois dos melhores extremos do mundo e um dos mais mortíferos avançados, Pedro Pauleta.
Esperemos que seja um grande mundial, que possamos assistir a grandes jogos de futebol e que a nossa selecção seja uma das surpresas (pela positiva) deste torneio… Vamos desfrutar deste grande espectáculo!

7 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Podes anotar a classificação final: 1ºPortugal, 2ºRep.Checa, 3ºBrasil, 4ºSuiça(grande surpresa do campeonato do mundo...A tua Argentina vai ser a grande decepção.

3:15 a.m.

 
Blogger beterraba said...

Fazer algum prognóstico da minha parte seria como fazer um totobola de olhos fechados. Não faço a menor ideia de quem tem ou não hipóteses. Eu gostava que fosse o Togo, depois da Miss mundo, o campeonato do mundo, era feriado até ao fim do ano!
Cá para nós não prevejo grandes resultados. Não falo dos jogos mas sim das bandeiras. Aqui pelos subúrbios da capital bandeiras Portuguesas, Angolanas e Brasileiras convivem harmoniosamente, mas tenho cá para mim que isto ainda vai acabar numa alegre pancadaria multicolor. Claro quem tiver a bandeira com o pau maior, partirá em vantagem. Eu vou arranjar uma com um pau muiiiito grande (deixem-se lá da conotação sexual) para arrear com força no Scolari até lhe cair aquela amostra de bigode. Já agora, a revista Visão traz na capa desta semana aquilo a que chama o último tabu: a Vagina. Vem sempre a propósito.
Vou estar particularmente atento à TVI, porque se a SIC transmite os jogos, não há como a estação de Queluz para cobrir as reacções.

12:48 p.m.

 
Blogger Pirata said...

Raio da planta, sempre muito animada e divertida!
Esquece os paus, os angolanos e as brasileiras por uns tempos e adere à nova moda scolariana: pintar o nome de um jogador da selecção na rua da tua casa!
Pirata ajuda-te: que tal pintares na ruela que dá para a tua casa na Gingeira o nome do Quim(bolas)? Serias, no mínimo, muito original :) Quem se lembraria de pintar o nome do malfadado guarda redes do Benfica?

3:32 p.m.

 
Blogger beterraba said...

Até podia ser engraçado, mas não vou por aí. A coisa ainda pegava e passaria eu a morar na “Viela do Quim, o apanha bolas”, o que, concordarás, teria pouca piada. A seguir o teu conselho preferiria uma coisa bem mais pomposa, de acordo com o nível das pessoas que lá moram, tipo: “Cristiano Ronaldo, o puto maravilha da sarrafada, fantástico na arte de fazer manguitos”, ou “Luís Figo, o que foi embora e só regressou porque foi para o banco do Real”, ou ainda “Deco, o mágico maior que Luís de Matos na arte de encontrar uma selecção onde tenha lugar”. Isto sim, seriam nomes dignos, mas a ruela não tem espaço suficiente.
Outro factor contra é o facto da ideia ter partido de Scolari. Começo a ficar sem paciência para o tipo e isso é grave porque até agora só me era indiferente. Cada vez que o coronel tapioca aparece, com aquele português à criança de 4 anos, dá-me uma vontade terrível de partir alguma coisa.

4:28 p.m.

 
Anonymous Anónimo said...

Só mesmo uma planta para falar assim...é muita falta de ideias próprias. Começo a desconfiar que Scolari tinha razão quando disse que os portugueses tinham inveja dos brasileiros, pelo menos alguns. Eu só tenho inveja das praias e dos seus bronzeados(as). Está na moda falar mal de Scolari, mas esta planta se "pensar?!?!?!" um pouco chega facilmente à conclusão que nunca houve na nossa história futebolística nenhum treinador com tanto sucesso à frente da nossa selecção...é claro que os iluminados dizem logo a peito cheio que o Euro2004 foi em Portugal e essa treta toda. A verdade é que esta selecção enquanto tiver este treinador estará fadada para o sucesso. Nunca houve nenhum treinador que conseguisse tamanha união no seio da nossa selecção (são os próprios jogadores que o dizem), porque será?. Talvez por ser BRASILEIRO e estar imune a todas as pressões maliciosas, de dirigentes, jornalistas e opinadores da treta maliciosos. Eu gostava era de saber se no Euro2004 esta planta(beterraba), não vibrou com a nossa selecção, gostava de saber se não vai vibrar e festejar o êxito da nossa (minha) selecção no Mundial, porque não merece festejá-lo em caso de sucesso, aliás vou ser o primeiro a pedir o exílio dessa beterraba para Marrocos. Se eu fosse uma beterraba pedia imediatamente a mudança de nacionalidade.Angolano talvez...
PORTUGAL a CAMPEÃO!!!

12:19 a.m.

 
Blogger beterraba said...

Fundamentalismo futebolístico.
Dizer que é falta de ideias próprias discordar, não é explicável mas cada um escreve o que quer.
Ironicamente os únicos Portugueses que podem ter inveja dos Brasileiros são os “Roques Santa Cruz” deste país, pois tal como eles, as poucas alegrias que devem ter na vida são as do futebol.
Brasileiros como Fernando Pinto (não, não é um jogador de futebol, é melhor fazeres uma busca no Google) são muito bem vindos. Scolaris não fazem falta nenhuma, para palhaços já temos por cá dos nossos.
Essa história do não “merece festejar os êxitos” só porque não tenho palas nos olhos, faz perceber porque é que temos que importar Scolaris para treinar uma selecção dita nacional.
Á boa moda Brasileira, termino com uma passagem do evangelho: “Felizes os pobres de espírito que deles é o reino dos Céus”. Boa estadia no paraíso Roque, espero que daqui por 100 anos.

11:41 a.m.

 
Anonymous Anónimo said...

NOTICA DE ÚLTIMA HORA!!!:
Mais de 1/3 de Roques Santa Cruz ficaram parados durante 1H30m a olhar para a televisão...(é muita infelicidade junta), aliás, tenho impressão que esta "infelicidade" se vai manter durante algumas semanas. Será que isto vai acabar bem?? Quantas lares não ficarão destruídos depois de 3 jogos...é um caso para reflectir.Como é possível num domingo que supostamente seria para estar com a família estes pobres de espírito se reunão em grupos para celebrar um jogo da bola.
Termino com uma passagem do Evangelho segundo Roque Santa Cruz: "Felizes os pobres de espírito que não se sentem felizes por ganhar só por 1-0 a outra selecção qualquer". Vamos atingir o Céu (o que quer que isso seja). PORTUGAL A CAMPEÂO!!!

2:32 p.m.

 

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